Carta sem endereço

​”Querido, anjo. Como vai? Bem, eu espero. Também torço para que o seu relacionamento com aquela menina esteja dando certo. Os primeiros meses juntos são os mais difíceis, certo? Lembra como os nossos foram turbulentos? Mal nos conhecíamos, era ciúmes o tempo todo e a vontade de desistir era enorme ( muito mais da sua parte do que da minha, afinal, era você quem “vivia” terminando). Mas no fim sempre ficávamos bem. Eu sinto a sua falta, sabe? Às vezes eu escuto aquela música que você tocou no violão para mim e penso em como ela fica muito melhor na sua voz. Falta pouco para fazer um ano que tudo acabou. Um ano para o pior dia da minha curta vida fazer aniversário. São tantos arrependimentos… Um deles é não ter dado o carinho e amor que você merecia (quando você ainda era o cara por quem eu me apaixonara, quando não tinha se transformado em outro alguém desconhecido). Eu ainda consigo mentalizar você perfeitamente, principalmente seu lindo sorriso pelo qual sempre fui apaixonada. Mas a sua voz… Ela está começando a sumir. Sabia que a sua gargalhada tornara-se a minha melodia predileta desde o dia em que eu a ouvi pela primeira vez? Naquela época eu ainda não sabia o poder de um amor romântico. Parece clichê, mas eu realmente só descobri o que era amar com você. Infelizmente aprendi também o que era sofrer… Mesmo depois desse tempo, eu ainda sofro. Sofro pela vida maravilhosa que poderíamos ter, mas sofro principalmente por ainda estar presa a você. Eu não queria… Não queria que as coisas tivessem acabado daquele jeito. Queria que tudo tivesse sido amigável. Mas você tinha que ter errado… Eu espero de verdade que você esteja feliz. Dói não poder ter notícias suas, mas eu escolhi isso e devo “sofrer” as consequências. De certa forma, isso nos fez bem. Nós crescemos em meio a todo esse caos que nós mesmos criamos. Nós amadurecemos e enxergamos pela primeira vez que a vida não era um conto de fadas. Não existe finais felizes no mundo real, por isso foi um choque intenso quando caímos na realidade. Mas eu aprendi com os nossos erros, estou melhorando. Tornei-me outro ser ao conhecer-te, e tornei-me outro ser ao deixar-te. Nessa imensidão de corpos, tive a chance única de poder amar tão profundamente na jovialidade. Acho que ainda te amo… Quero dizer, o que você era. Aquele menininho tão grande, mas ao mesmo tempo tão inseguro de si ainda perambula pelos meus pensamentos. Ele ainda ocupa meu coração. Por mais que eu tente afastá-lo, não consigo resistir por muito tempo. O máximo que eu consigo fazer é fazê-lo adormecer por algumas horas e impedí-lo de penetrar nos meus sonhos. Porque, nas raras vezes que sonho com ele, tudo tranforma-se em pesadelo rapidamente. Apesar de tudo, estou feliz. Foi melhor assim. Pelo menos é o que tento me convencer…”

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