23 de agosto de 2016.

(Carta dela para ele, após ele ter ido embora novamente)

 Hey, como você está?

Já faz um tempo que não nos falamos, não é? Bom, em minha defesa, eu só quis respeitar sua decisão. Acho que você esperou que eu pedisse para você ficar, mas se tiver sido o caso, espero que entenda o porquê de eu não ter te impedido. Quando você foi embora pela 3°/4° vez, eu compreendi que você por mais que voltasse, sempre iria novamente. Parei de me importar com o fato de você ficar ou não, mas me importo com você ainda. Eu sei que você é bem lerdo às vezes, mas acho que entenderia. Não sei se você lembrou, mas hoje faríamos dois anos de namoro. Eu não queria nem deveria lembrar, mas você realmente marcou a minha vida. Não é nada demais, nem ficarei chateada caso você não tenha se recordado. Mas, mais uma vez, eu não me importo. Não mais. E isso é tão bom, sabe? Quase tão gostoso quanto a época em que  você me fazia feliz. É uma sensação boa, de paz. Você foi embora para encontrar essa paz também, e agora eu realmente espero que você tenha encontrado-a. Talvez até com outro alguém. De qualquer forma, estarei feliz por você. Eu aprendi da pior forma o real significado daquela frase “Quando se ama alguém, você deve deixá-la ser feliz, por mais que você não seja mais a felicidade”. Agora eu entendo. Fiquei com muita raiva de você na época. Te odiei. Te repudiei. Mas quero que saiba que foi só porque você era uma coisa boa na minha vida. E você sabe, coisas boas na minha vida são raras. Mas eu compreendi essa frase e deixei ser verdade. Foi melhor assim. Ambos sabemos disso. Quanto mais cedo foi, melhor para nossa sanidade. Afinal, nós estávamos nos destruindo. Eu só não percebi isso na época. Mas você sim. Então obrigada. Obrigada por tudo de maravilhoso. Obrigada por ter me tornado uma pessoa melhor. Obrigada pela companhia enquanto eu só queria solidão. Obrigada por fazer parte da minha vida. E por fim, obrigada por ter terminado tudo com boas lembranças ao invés de deixar que tudo se arruinasse com brigas. Preciso dizer-te que não sinto mais saudades. Não sei se isso é bom, mas creio que sim. Claro, é impossível não emocionar-me escrevendo isso (continuo a pessoa mais sensível que você conheceu, isso não mudou), mas não sinto mais falta. Agora a única coisa que carrego em meu coração é a boa lembrança de ter tido alguém especial ao meu lado durante algum tempo. Espero encontrar outro alguém assim novamente. Está chovendo aqui, sabia? É o nosso tipo de tempo favorito. Acho que foi por isso que   fiquei com vontade de escrever-te. Tirando o fato de que nunca enviarei a você. Detalhes, certo? Enfim, eu estou feliz. Sabe por quê? Porque estou lembrando do que fomos. Porém, não estou triste pelo que poderíamos ser. Simplesmente não era para ficarmos juntos. Apenas precisávamos desse tempo um com outro para amadurecermos para os verdadeiros amores das nossas vidas. Mas saiba que você foi essa pessoa para mim durante um ano e seis meses. “A gente nunca supera o primeiro amor”, era o que você me dizia. Hoje eu vejo que você estava certo. Quero dizer, em parte pelo menos. Acho que a gente só não tem a capacidade real de esquecer o primeiro amor. A gente simplesmente segue em frente. E foi o que fizemos. Por mais que não façamos mais parte da vida um do outro, eu sempre estarei aqui para você. Porque mesmo não me importando, eu me importo contigo, bocó. Prova disso é que aqui estou eu escrevendo para você. Mesmo sabendo que você não lerá. É melhor assim. Saiba que você nunca morrerá, pois sendo a boa escritora que sou, (finalmente passei a acreditar nisso depois de você tanto insistir que eu tenho potencial ) eternizarei você em meus textos. Com minhas palavras cheias de carinho. Acho que acabei estendendo-me demais. Desculpe-me.

Seja o mais feliz possível, tá bom? Espero encontrar-te por aí algum dia.

Com carinho,

 

Dela para ele.

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2 comentários sobre “23 de agosto de 2016.

  1. Larissa Florêncio disse:

    Que texto lindo!!! Devo confessar que me identifiquei bastante, até porque passei pela mesma coisa (e com meu primeiro namorado). Mas no fim reconhecemos, que mesmo levando as lembranças conosco, aprendemos a lidar com a ausência. Parabéns!

    Curtido por 1 pessoa

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