Hoje minha tarde foi dedicada aos belos poemas de Rupi Kaur

Minhas lágrimas formaram riachos pelas minhas bochechas

Cada verso dela reafirmando a dolorida realidade de…

Apenas ser… Mulher

Mulher num mundo em que nossos corpos não nos pertencem

Em que nossa voz só é válida se for sinônimo de silêncio

 

O adeus que eu já esperava

Para sempre serei grata a você pela nova visão de poesia que você me proporcionou. Queria que tivéssemos nos encontrado antes de nossos corações terem sido partidos. Mas tudo bem, baby. Obrigada pela visita. Esperarei o próximo convidado chegar, deixe a porta aberta ao sair.

– quiçá a gente se esbarre de novo. se não, fique bem.

O [uni]verso] em nós

Todo título constrói um universo paralelo ao real

(De forma natural, curta esse sarau)

Fazer isso dói

Mas faço questão de pôr nesse para quê, pelo menos em algum lugar [mesmo irreal]

você e eu constitua um

Nós

Mas te garanto, não haverá nó algum

Não irei te prender a mim

Nem irei me prender a você

Namastê, amor. Como vai você?

Aula de morfologia

Eu passeio minha língua pelo teu corpo

te garanto sem receio

É o melhor passeio que já fiz

Pelo menos é o que nossa roupa

Jogada pelo quarto diz

Saboreio teu sabor

Nesse floreio que floresce

Do ardor da nossa prece

Do brotar das nossas águas

Antes tão calmas quando sós

Mas tão agitadas quando nós

Mas nó nenhum há aqui

Não te prendo de forma alguma a mim

Mas vem cá, vamo ficar juntin

Tu é minha poesia

Te escrevo isso na aula de morfologia

É que não vejo a hora do dia em que

Vamos juntar nossas espirais em uma orgia

Entra em mim, faz tal qual o /d/ e o /z/

Construa o nosso elo epentético

Mas, sabe… Não quero nada sintético

Nem estético quiçá épico

É, épico talvez…

Mas sei lá, pode ser noutro

Mês.

Tempo

Tempo
Ainda estamos em tempo?
Quero te eternizar na escrita
Cê sabe, isso tudo aqui é a maior fita

Tic tac tic tac

Tempo
Temporal
Empoderar é poder fazer oral?
Em qualquer um
Em um qualquer
(?)
Cuidado, isso é ideia do Feminismo Liberal

Tic tac tic tac

Tempo
O que é tempo pra você?
Pra mim são 200 páginas lidas
Num domingo cheio de margaridas

Tic tac tic tac

Tempo
Tempestade
O mundo hoje é lotado de ambiguidade
Mas… Cadê a minha igualdade?
Equidade
Pra cada canto que eu olho
De dia
De noite
Vejo uma oportunidade
De me macularem [já fui]
Na Cidade Maravilhosa
Principalmente quando estou de rosa
[Talvez por isso, agora, eu prefira o preto]
É, Criolo, cê tinha razão. Só que
Não é só em SP que não existe amor
Pra cada canto que eu olho
De dia
De noite
Só vejo dor
Não rio mais
No Rio

Tic tac tic tac

Tempo
Na faculdade, já escutei:
– Tem pó?
– Tem, pô!
Quase surtei
Acho incrível como a
Abertura
Ou o
Fechamento
[tu fecha mesmo comigo ou é só um ator? Olha, eu sei, você tem dor. Só não quero adentrar no amor]
de uma vogal muda todo o significado de uma palavra
Assim como
Você mudou todo o sentido que havia em mim
Mas esquece, esse é só a minha paixão por Letras invadindo esse escrito
Te grito, adoro ouvir o teu gemido

Tic tac tic tac

Tempo
Em filosofia da educação
Aprendi que tempo é toda
E qualquer ação
Me pergunto, amor
Se você vale mesmo toda essa
Canção [eu sei, você não sabe do que eu estou falando, talvez um dia eu faça uma ponte e te conte]
Será que isso é tudo uma ilusão?
Combustão em expansão
Essa sou eu depois de você
Namastê
Não dá mais… pra te ver
Sinto que vou enlouquecer

Olha, nada mais disso faz sentido
[olha aí a ambiguidade, baby]
A verdade é que eu já deveria ter ido
Encerro por aqui
Mais um dos meus devaneios

Impactante
Olha nosso…
Impacto adiante
Vem formar comigo um
Pacto de 4×4 ou só…
Adia o dia em que serei seu…
Diamante?
mais brilhante
É só mais um passo…
Adiante
Me pega às 16h
Mas
Me larga só
às 06h
Vem cá
É um passo de cada vez
Afinal, nenhum de nós sabe…
Falar javanês
É que
Já faz um mês
É tudo tão insólito
Vou te fazer meu
Ópio
Impróprio
Você me faz rio
E rio
No mais famoso Rio
E simplesmente
Crio.
Apenas venha conhecer meu
eu lírico.

– ao meu bem

Vem, meu bem. Vamos quebrar padrões. Transgredir o ideal humano de comunicação por palavra e criar nossa própria linguagem corpo a corpo. Compor uma melodia tão transcendental que até Beethoven seria capaz de ouvir nosso concerto. Só vem…

menção a Rupi

minha revolução começou pela sua boca
graças ao ácido que ela expelia e me corroía dia após dia.
Toda revolução começa pela palavra.
A minha começou quando [finalmente] te deixei [de vez]
sem despedidas
sem adeus
sem possibilidade
nem a mais remota
de recomeço
transgredi a regra
me fiz prioridade
tornei-me A exceção
você sabe
sempre fui da contramão
Toda revolução começa pela palavra
já diziam na minha faculdade
só que de nada adianta
revolucionar sem atuar
então, ao tomar essa atitude
me perdi numa nova amplitude
percebi a magnitude do que perdia
quando estava atada a você
Toda revolução começa pela palavra
mas não termina nos seus lábios
é, ao mesmo tempo, paralela e perpendicular
a você
Toda revolução começa pela palavra
você sempre se considerou um sábio
[mas você é apenas pseudo]
Toda revolução começa pela palavra
a minha começou quando parti de você
agora vou e voo
ao infinito e além
colher os frutos desse meu novo maior bem
Toda revolução em mim começa e se mantém
única e
exclusivamente
pela palavra
– gratidão a Rupi, a mim e, principalmente, à escrita.

Pressa

Te recebo já prevendo nosso [provável] futuro fim. As portas de entrada e saída estão abertas, amor. Sinta-se à vontade para se retirar ao menor sinal meu de fragilidade [ ou seria de reciprocidade?]

– sinto te dizer que sou fraca da cabeça aos pés