Bactéria

você me responde da mesma forma que se toma um antibiótico: sem vontade e a cada 8h

então percebo que finalmente aconteceu: eu perdi você

e a mim

e eu não imaginava que seria tão rápido dessa vez

– a dor de perder você é seca e vazia. doutor, quantas cachaças eu preciso beber para o esquecer, digo, melhorar?

li em algum lugar que a escrita era uma atividade solitária, mas não sei se concordo. em todas as vezes que você me machucou, me isolou, a escrita foi a minha única amiga. a única que você me permitia.
escrever pode ser considerado um ato solitário, mas não chega nem perto da solidão que era estar junto a você

– eu estava mais acompanhada com a minha solitude do que quando estava sozinha com você

medo (part.1) – substantivo masculino

é que eu tenho medo de que você se canse de mim, meu bem…

olha nos meus olhos

não vê o quão cansada eu estou?

o desleixo. as olheiras. a pele não macia.

o cabelo de dias sem lavar. os cachos descacheados. lisos.

os lábios ressecados (os debaixo, graças a você, nunca mais)

os furos das orelhas sem brincos

as unhas quebradas e as sobrancelhas grandes e falhadas

os pelos dos braços e os pelos das pernas

as lágrimas caindo

toda manhã e

toda tarde e

toda noite e

todos os dias

a hipérbole se tornou minha melhor amiga

os calos nos dedos de inúmeras tentativas de escrita

e nenhum resultado…

todas falhas. eu sou pura falha e

se nem eu me quero, amor

como posso querer que você me queira?

tá tudo bem. vem cá, vem?

vamos facilitar as coisas. desiste de mim que eu desisto de você

talvez, assim, eu desista de mim também

– te peço perdão pela covardia, amor

 

 

O todo de mim

parte de mim sente a sua falta
parte de mim quer acabar com tudo
parte de mim quer transgredir com isso
parte de mim quer te abraçar
parte de mim quer pedir pra você ficar
parte de mim quer que eu desate o nó
parte de mim quer que eu aperte o nós

quantas partes de mim eu preciso juntar pra você perceber que eu quero ser inteira de você, amor?…

período 19.2

“amo fuder contigo

amor fode comigo”

li esses dois versos num poema qualquer de uma página qualquer do facebook

qualquer… qual eu quero?  você…

amor, fode comigo. na faculdade. na praia. no bar.

vamos relaxar. fazer tal qual divagamos naquele dia.

quem sabe talvez faremos… perto do mar?

sem rimas. sem rir, mas… sem amarras? não sei, não sei…

eu sei, amor. perdoa o delay? é que eu estava ocupada antes.

agora eu tô aqui. calma, te prometo, não vou fugir.

sempre penso sempre em você.

amor, fode comigo?

de lado. de costas. em pé. deitados. de frente…

é que na verdade isso a gente já faz.

teus olhos castanhos cor de mel me prendem

tô presa em você, amor.

isso aqui não tá nada bom. mas tudo bem. tá ok ser clichê.

me permito ser dessa vez. com você.

e por hoje, é só. porque não consigo escrever sobre ti. é difícil.

nunca pensei que escreveria algo do tipo, então, ó, parabéns: teu ser é maior que poesia.

me beija durante o dia e, à noite…

amor, fode comigo?

amo fuder com você.

amor, fode comigo

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

desde que comecei a pensar mais nos meus privilégios
escrever sobre o que me machuca tem se tornado mais difícil
porque tudo que passo parece tão pouco
tão ínfimo perto…
é como se eu não pudesse sofrer
não deveria ter motivos para a tristeza
escrever se tornou um peso
eu me sinto

e

sou um peso

– até a força que a escrita tinha na minha vida tiraram de mim

larguei meus livros de poesia na minha cadeira de balanço de quando eu era criança
sem esperança, olhei minhas inúmeras canetas coloridas na bancada e me veio o desânimo
não me animo nem tenho ânimo
talvez por meio de um pseudônimo eu consiga voltar a escrever
sei lá
não me importo nem que seja um só um acrônimo
a verdade é que…
cansei dos meus poemas sinônimos queria ser lida

e ouvida
mas nada nessa vida é fácil
engulo a cada dia ácido
fiz um acordo tácito comigo mesma
mas meu rendimento tá pior que o de uma lesma
e ó
até cheguei a comprar uma resma de papel lá na Prolar de Caxias (pra ver se a vontade de deslizar o grafite voltava) de cor rosinha
tal qual a bucetinha desejada pelos caras que precisam se esforçar pra caralho pra gostar de mulher
mas e ai, nasci ou me tornei uma? – fui tornada quiçá rapá
que isso, esse escrito saiu do rumo
caiu um prumo aqui mas relaxa, tem nada a ser medido
nesse instante olho minha estante e meu fôlego volta
foram só uns minutos ruins não vou reclamar, tem gente na pior, eu sei naquele dia no ônibus o cara me comeu com os olhos
mas ei
pelo menos não foi com as mãos – nem com o pau
pelo menos não dessa vez…

Se aperta no meio da multidões.
Multi, prefixo que pode indicar muitos, vários.
Compassos compactam os passos das pluralidades em meio ao plural de “dões”
Pidões seres marginalizados e deixados por conta própria nos lixões
Sem rima agora
Sem diversão nem
Diversões
Não aguento mais as solidões

menti naquela carta. chorei de novo

não acredito muito em signos, apesar de me identificar com boa parte das características de peixes. por causa das minhas amizades que gostam disso, acabo acompanhando tarot no twitter vez ou outra só por curiosidade mesmo, sabe? bem, há alguns dias eu vi um tweet dizendo que para o mês de setembro, o que estava em voga era a carta da morte para piscianos e, com isso, haveria grande chance de ser um momento de fechamento de ciclo na vida destes. bom, preciso confessar que na mesma hora pensei em você, sabe, amor? pensei em você porque tá difícil continuar com isso. você é difícil e eu não aguento mais relações complicadas na minha vida depois dele. e eu tentei, amor, juro que tentei e você seria um enorme babaca se dissesse que não. é que eu conheci outra pessoa e você sabe disso. conheci outra pessoa que pergunta como foi meu dia e que diz sempre que tá com saudade e que me dá diversas opções pra me encontrar e temo deixar você pra explorar o novo {de novo}. mas é que tá doendo tanto, amor… você sabe, eu odeio tomar decisões, mas acho que ambos temos noção de que isso não tem futuro. nunca teve e Eu nunca quis acreditar nisso e agora estamos aqui. nesse abismo que cada vez mais se expande e se aprofunda entre nossos corpos. eu queria tanto você, amor. e até te tive por umas semanas, acho… mas é que eu quero alguém que me queira por anos ou que pelo menos me procure além de simples trepadas na faculdade às sextas {mesmo que de simples nós tenhamos nada}. é só que eu cansei mesmo, amor. acho que talvez eu esteja pronta pra fechar o ciclo e começar outro com ele {ou talvez sozinha mesmo, caso também não dê com ele e tudo bem quaisquer opções}.
– tô indo embora e fechando a porta com tudo, amor {mas é que ainda é agosto, sabe…}