você sempre foi a parte tão medíocre dentre nós que sequer teve coragem de assumir seus erros.

você sempre foi a parte tão medíocre dentre nós que sequer consigo escrever sobre isso. sobre você. sobre o não mais existente nós.

nunca existiu um nós.

nunca existiu um você – sincero. puro.

mas existiu um vocês. e um eu.

um eu à parte. escondido. ignorante.

pequenininha – . – à espreita. no escuro.

alheio a você. a ela. a tudo.

tudo foi e é tão medíocre que nem poemas isso me rende.

odeio não te odiar por sequer me inspirar.

(você quase nunca me inspirou e foi ai que eu errei.

deveria ter notado esse sinal errado, mas eu não quis.

mas quis você

mas agora não mais (?))

sua coragem acovardada me tirou o ar, mas sigo respirando

mesmo quando penso que não…

mesmo quando sinto que não…

– você foi covarde até o fim e mesmo depois dele

segunda pós-carnaval

sou responsável apenas pelo que digo
não pelo que entendem
mas me diz, amor
o que eu devo dizer e
como eu devo dizer
pra você logo entender
que tudo aqui dentro se move melhor com você?
meu coração não erra as batidas quando te vê, na verdade é só com você que elas finalmente se acertam – e o quão maravilhoso isso é nenhum dicionário ainda foi capaz de significar

– teoria da comunicação 2020

Bactéria

você me responde da mesma forma que se toma um antibiótico: sem vontade e a cada 8h

então percebo que finalmente aconteceu: eu perdi você

e a mim

e eu não imaginava que seria tão rápido dessa vez

– a dor de perder você é seca e vazia. doutor, quantas cachaças eu preciso beber para o esquecer, digo, melhorar?

li em algum lugar que a escrita era uma atividade solitária, mas não sei se concordo. em todas as vezes que você me machucou, me isolou, a escrita foi a minha única amiga. a única que você me permitia.
escrever pode ser considerado um ato solitário, mas não chega nem perto da solidão que era estar junto a você

– eu estava mais acompanhada com a minha solitude do que quando estava sozinha com você

medo (part.1) – substantivo masculino

é que eu tenho medo de que você se canse de mim, meu bem…

olha nos meus olhos

não vê o quão cansada eu estou?

o desleixo. as olheiras. a pele não macia.

o cabelo de dias sem lavar. os cachos descacheados. lisos.

os lábios ressecados (os debaixo, graças a você, nunca mais)

os furos das orelhas sem brincos

as unhas quebradas e as sobrancelhas grandes e falhadas

os pelos dos braços e os pelos das pernas

as lágrimas caindo

toda manhã e

toda tarde e

toda noite e

todos os dias

a hipérbole se tornou minha melhor amiga

os calos nos dedos de inúmeras tentativas de escrita

e nenhum resultado…

todas falhas. eu sou pura falha e

se nem eu me quero, amor

como posso querer que você me queira?

tá tudo bem. vem cá, vem?

vamos facilitar as coisas. desiste de mim que eu desisto de você

talvez, assim, eu desista de mim também

– te peço perdão pela covardia, amor

 

 

O todo de mim

parte de mim sente a sua falta
parte de mim quer acabar com tudo
parte de mim quer transgredir com isso
parte de mim quer te abraçar
parte de mim quer pedir pra você ficar
parte de mim quer que eu desate o nó
parte de mim quer que eu aperte o nós

quantas partes de mim eu preciso juntar pra você perceber que eu quero ser inteira de você, amor?…

período 19.2

“amo fuder contigo

amor fode comigo”

li esses dois versos num poema qualquer de uma página qualquer do facebook

qualquer… qual eu quero?  você…

amor, fode comigo. na faculdade. na praia. no bar.

vamos relaxar. fazer tal qual divagamos naquele dia.

quem sabe talvez faremos… perto do mar?

sem rimas. sem rir, mas… sem amarras? não sei, não sei…

eu sei, amor. perdoa o delay? é que eu estava ocupada antes.

agora eu tô aqui. calma, te prometo, não vou fugir.

sempre penso sempre em você.

amor, fode comigo?

de lado. de costas. em pé. deitados. de frente…

é que na verdade isso a gente já faz.

teus olhos castanhos cor de mel me prendem

tô presa em você, amor.

isso aqui não tá nada bom. mas tudo bem. tá ok ser clichê.

me permito ser dessa vez. com você.

e por hoje, é só. porque não consigo escrever sobre ti. é difícil.

nunca pensei que escreveria algo do tipo, então, ó, parabéns: teu ser é maior que poesia.

me beija durante o dia e, à noite…

amor, fode comigo?

amo fuder com você.

amor, fode comigo